#Nãovoudeturbante

21 de fevereiro de 2017 / Conversation, Inspiration / 2 Comments /

Curiosamente, há um tempo atrás, observando as mulheres na rua, ou depois de ter visto alguma mulher que me impactou, na verdade colecionando as impressões marcantes do cotidiano na cidade, me dei conta de que eram as mulheres negras aquelas que mais me chamavam a atenção. As roupas, as cores, os cabelos, uma feminilidade corajosa e nova está tomando conta de uma cidade de certa maneira pacata nas expressões de um ‘estilo do corpo’ como Belo Horizonte. Mas sim, eram elas e são elas que nesse momento protagonizam uma nova presença valorosa nas ruas, na cultura, no pensamento, nas redes.

 

Abrindo a mala das fantasias de carnaval encontrei uma peruca ‘black power’ e senti pela primeira vez que aquilo deveria ser deixado de lado. Lembrei com amargor de uma festa à fantasia em que aluguei uma fantasia numa loja, a única que não improvisei na vida, e fui de ‘nega maluca’. E quando hoje, me deparei com textos e análises sobre o uso do turbante lembrei-me da tal fantasia. Que infelicidade me dar conta disso. Fiquei pensando nos personagens que nos fantasiamos no carnaval, o que eles estão a dizer, porque se fantasiar por exemplo, de índio? Que alegoria é essa que criamos uns dos outros?

 

São nesses lugares mais ingênuos que revelamos o tamanho da ferida aberta. Escolho dar um passo atrás, escutar o que estão tentando me dizer e parar de querer confrontar pelo direito de ter direito e abrir mão de meus direitos, pelo dever de respeitar o que está urgente agora.

 

Incrível texto da Eliane Brum sobre o tema: http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html



2 Comments

  1. -

    21 de fevereiro de 2017
    / Responder

    Botar uma peruca loira no carnaval pode ser tão "insignificante" quanto botar um black power...
    Não há motivo para ser ofendido onde não há ofensa.
    O turbante não é usado apenas pelos negros. Tantos outros povos e etnias usam turbante, veja os arabes que o usam a milhares de anos, e tantas pessoas usam turbante para outros fins que não o de protestar, como carregar água por exemplo, ou evitar desidratar no sol quente...
    Saber respeitar o turbante negro, significa ter de saber também respeitar todos os outros turbantes não-negros, e todos aqueles que por um motivo ou por outro resolvem carregam um símbolo em sua cabeça.
    O respeito vai além de uma hashtag, ou de uma discussão simplista.
    Usa turbante quer quer, carrega um simbolo quem quer, e cada um define qual o simbolo de seu turbante como quiser.

    • Thais Mol

      7 de abril de 2017
      / Responder

      Acho ótimo o seu comentário. Entendo outros pontos de vista e outras complexidades dessa questão. Mas tenho a minha postura, o que não invalida nenhuma outra e nem faz a minha melhor nem pior que a dos demais.


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